Dia Mundial da Saúde: veja quais são as principais doenças por falta de saneamento

Todos os anos, desde 1950, no dia 07 de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comemora o Dia Mundial da Saúde. A data tem como objetivo conscientizar a população sobre questões ligadas à saúde, trabalhando o tema de diferentes formas para estimular a criação de políticas voltadas ao bem-estar da população. Além disso, as ações realizadas na data são importantes para que a população aprenda a se cuidar e saiba seus direitos em relação à saúde.

A cada ano um tema específico é escolhido para ser discutido com base na agenda internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2021, a campanha da organização aborda a construção de um mundo mais justo e saudável. A COVID-19 destacou a desigualdade de acesso aos serviços básicos por parte da população. Em meio as diversas recomendações de higiene para evitar a proliferação do vírus, muitos não têm nem acesso à água para lavar as mãos.

Além disso, como explica o Dr. Alfredo Salim Helito, médico e autor de livros sobre a saúde da família, em entrevista para o podcast do Trata Brasil, o controle da transmissão desse vírus se torna ainda mais difícil devido às condições precárias de moradia que temos no país, em que há muitas pessoas juntas em ambientes pequenos e precários.

Segundo o novo Ranking do Saneamento, lançado pelo Instituto Trata Brasil, quase 35 milhões de habitantes não têm serviços de água tratada e aproximadamente 100 milhões de pessoas estão sem acesso à coleta de esgotos. O Brasil ainda não trata metade dos esgotos que gera (49%), o que representa jogar na natureza, todos os dias, 5,3 mil piscinas olímpicas de esgotos sem tratamento.

A situação precária do saneamento no Brasil não é novidade e favorece a transmissão de outras enfermidades, como as doenças de veiculação hídrica, em que a água é o principal veículo de transmissão. As principais são: doenças gastrointestinais infecciosas, febre amarela, dengue, leptospirose, malária e esquistossomose.

Dados do DATASUS mostram que em 2018 foram registradas mais de 230 mil internações por doença de veiculação hídrica e 2.180 óbitos. O valor presente da economia total com a melhoria das condições de saúde da população brasileira entre 2004 e 2016 foi de R$ 1,7 bilhão, que resultou num ganho anual de R$ 134 milhões, segundo dados do estudo Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento brasileiro 2018 - Instituto Trata Brasil. No mesmo ano, foram totalizados R$ 90 milhões em gastos com internações por doenças de veiculação hídrica no SUS, conforme dados do Painel Saneamento Brasil ? Instituto Trata Brasil.

A falta de saneamento pode ser ainda mais perigosa para crianças de 0 a 5 anos, fase de grande desenvolvimento nutricional, motor e psicológico. ?Essa deficiência nessa época poderá trazer problemas muito sérios para o futuro, quando a criança se tornar um adulto, em termos de condições de trabalho, na questão da inteligência, no desenvolvimento de formação de família, tudo isso pode ser bloqueado pela falta de saneamento básico nessa época que é o início da formação do ser humano, nos primeiros 5 anos de vida?, explica Helito.

Investir em saneamento também é investir em saúde e qualidade de vida para a população em geral. A universalização dos serviços de água e esgoto até 2033 prevista no novo Marco Legal do Saneamento (Lei Federal 14.026/2020), garantindo que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e coleta de esgoto, traria benefícios imensos para o país a longo prazo.

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