Situao do Saneamento no Brasil

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Números mais importantes:

  • Atendimento em água potável: quando consideradas as áreas urbanas e rurais do País, a distribuição de água atinge 82,4% da população.
  • O atendimento em coleta de esgotos: chega a 48,1% da população brasileira.
  • Do esgoto gerado, apenas 37,5% recebe algum tipo de tratamento.
  • Crescimento das ligações:  entre 2010 e 2011, houve um crescimento de 1,4 milhão de ramais de água e 1,3 milhão na rede de esgotos de esgotos no País, crescimentos relevantes quando se trata de ampliação de sistemas complexos nas cidades brasileiras.
  • O Consumo de água por habitante no Brasil: foi de 162,6 litros por habitante ao dia, um pequeno incremento de 2,3% em 2011 com relação a 2010. A região com menor consumo é a Nordeste, com 120,6 litros por habitante por dia; já a região com maior consumo é a região Sudeste, com 189,7 litros por habitante por dia.
  • Perda de água: a média de perdas de água na distribuição alcançaram 38,8%, mantendo-se no mesmo patamar de 2010.
  • Receitas totais geradas pelos serviços de água e esgotos:  alcançaram os R$ 76,0 bilhões no ano de 2011.
  • Investimentos: movimentação financeira de R$ 76,0 bilhões no ano de 2011, referente a investimentos que totalizaram R$ 8,4 bi, mais receitas operacionais de R$ 35,0 bi e despesas de R$ 32,6 bi. 
  • Postos de trabalho: em 2011 o setor de saneamento gerou 642,9 mil empregos diretos e indiretos e de efeito renda em todo o país. Desses, 198,9 mil nas atividades diretas de prestação dos serviços e 444,0 mil gerados pelos investimentos.

Fonte: SNIS 2011 (Ministério das Cidades) 

  • Cada R$ 1 investido em saneamento gera economia de R$ 4 na área de saúde

Fonte: Organização Mundial da Saúde, 2004.

  • No Brasil são 7 milhões de habitantes que ainda não tem acesso a banheiro.

Fonte: Estudo Progress on Sanitation and Drinking Water – OMS/UNICEF, 2011.

  • Nas 100 maiores cidades do Brasil, municípios tratados no Ranking do Saneamento – base SNIS 2011 vivem 78 milhões de habitantes, ou seja, 40% da população brasileira.
  • Dos 78 milhões, em 2011, quase 92% da população tinha acesso à água potável, ou seja, mais de 6 milhões de habitantes ainda não tinham acesso.
  • Nessas 100 cidades somente 38,5% dos esgotos são tratados. Significa que essas cidades lançam o equivalente a 3.500 piscinas olímpicas de esgotos por dia na natureza.
  • 23 das 100 cidades analisadas ofereciam água tratada a 100% de sua população
  • 36 das 100 cidades possuíam índice de coleta de esgoto superior a 80% da população e apenas 3 delas atendiam a 100%: Franca, Santos e Belo Horizonte.
  • Apenas 10 municípios possuíam índice de tratamento de esgoto superior a 80%. Sorocaba, Niterói, São José do Rio Preto, Jundiaí, Curitiba, Limeira, Ribeirão Preto, Londrina, Maringá e Petrópolis.
  • Dos 100 municípios analisados, 53 investiram menos de 20% do que arrecadam na melhoria ou ampliação do sistema.
  • A média de perdas de água para os 100 municípios foi de 40,22%, pior, portanto que a média nacional que foi de 38% em 2011.

Fonte: Ranking Trata Brasil com avaliação dos serviços de saneamento nas 100 maiores cidades do País, base SNIS 2011.
+ Informações

  • Dos 62,8 milhões de domicílios, quase 27 milhões de residências (42,9%) ainda não têm rede coletora de esgoto
  • O número de domicílios beneficiados por rede coletora de esgoto aumentou de 54,9% em 2011, para 57,1% em 2012.
  • O maior crescimento regional ocorreu no Sul, onde o avanço foi de 35,7% em 2011 para 42,3% em 2012.
  • A região Norte se manteve estável em relação a 2011 com 13% de domicílios com acesso a rede coletora de esgoto
  • O Sudeste ainda é a região com melhor a cobertura de rede de esgoto, 84,1% dos domicílios tem o serviço.
Acesso a serviços essenciais no Brasil, segundo residências atendidas - Pnad 2012
  Iluminação elétrica (%) Coleta de esgoto (%) Rede de água (%) Coleta de lixo (%) Fossa rudimentar (%)
2011 99,3

54,9

84,6

88,8

16,6
2012 99,5 57,1 85,4 88,8 16,6

Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Síntese dos Indicadores de Pnad 2012

  • Estudo do Trata Brasil “De Olho no PAC”, que acompanha a execução de 138 grandes de saneamento em municípios acima de 500 mil habitantes (sendo 112 obras do PAC 1 e 26 obras do PAC 2), mostra que apenas 14% das obras foram concluídas até Dezembro de 2012.
  •  90 das 138 obras monitoradas encontram-se paralisadas, atrasadas ou não iniciadas. Significa que 65% das obras não estão cumprindo os cronogramas.

Fonte: Pesquisa 'De Olho no PAC' - Instituto Trata Brasil

Impacto financeiro:

  • Em 2010, as perdas de faturamento das empresas operadoras com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, alcançaram, na média nacional 37,5%.
  • Índices de Perdas por região: 51,55% na região Norte; 44,93% na região Nordeste; 32,59% na região Centro-Oeste; 35,19% na região Sudeste; e 32,29% na região Sul.
  • Somente 40% dos estados brasileiros apresentaram, em 2010, índices de perdas de faturamento inferiores ao nível médio das perdas nacionais.
  • Uma redução de apenas 10% nas perdas no País agregaria R$ 1,3 bilhão à receita operacional com a água, equivalente a 42% do investimento realizado em abastecimento de água para todo o País naquele ano.

Fonte: Estudo: “Perdas de Água: Entraves ao avanço do saneamento básico e riscos de agravamento à escassez hídrica no Brasil” - Instituto Trata Brasil

Impacto na saúde:

  • 88% das mortes por diarreias no mundo são causadas pelo saneamento inadequado. (IBGE, 2012).
  • Em 2011, no Brasil, 396.048 pessoas foram internadas por diarreia; destas, 138.447 foram crianças menores de 5 anos (35% do total)
  • Nas100 maiores cidades do País, 54.339 pessoas foram internadas por diarreias; 28.594 delas foram crianças entre 0 e 5 anos de idade (53% do total).
  • Em 45% dos 100 municípios analisados mais de 50% das internações foi de crianças de 0 a 5 anos.
  • O Norte e o Nordeste apareceram entre 2009 e 2011 como as áreas com as taxas mais elevadas de internações por diarreias – 7 das 10 cidades com pior desempenho eram dessas regiões.
  • O município de Ananindeua (PA) pode ser considerado um caso crítico, uma vez que ocupou o primeiro lugar com a pior taxa de internação em todos os anos analisados, com valores acima de 900 internações por 100 mil habitantes.
  • Em números absolutos, Ananindeua (PA) apresentou os maiores gastos por internação por diarreias, gastou em 2011 um total de R$ 314.459,00 por 100 mil habitantes.
  • Taubaté (SP) é o município com o menor gasto por internação por diarreias, o gasto total foi de R$ 721,00 por 100 mil habitantes.
  • Analisando os índices de atendimento em coleta de esgoto em 2010 (dado mais recente do SNIS), o estudo apontou que em 60 das 100 cidades os baixos índices de atendimento resultaram em altas taxas de internação por diarreias.
  • Em 2011, os gastos do SUS com internações por diarreia no país foi de R$ 140 milhões.
  • Nas 100 maiores cidades este gasto foi de R$ 23 milhões, ou seja, 16,4% do total.

Fonte: Estudo “Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População 2008-2011” - Instituto Trata Brasil

Impactos à sociedade:

  • Por ano, 217 mil trabalhadores precisam se afastar de suas atividades devido a problemas gastrointestinais ligados a falta de saneamento. A cada afastamento perdem-se 17 horas de trabalho.
  • A probabilidade de uma pessoa com acesso a rede de esgoto faltar as suas atividades normais por diarreia é 19,2% menor que uma pessoa que não tem acesso à rede.
  • Considerando o valor médio da hora de trabalho no País de R$ 5,70 e apenas os afastamentos provocados apenas pela falta de saneamento básico, os custos chegam a R$ 238 milhões por ano em horas-pagas e não trabalhadas.
  • De acordo com o DATASUS, em 2009, dos 462 mil pacientes internados por infecções gastrointestinais, 2.101 faleceram no hospital.
  • Cada internação custa, em média R$ 350,00. Com o acesso universal ao saneamento, haveria uma redução de 25% no número de internações e de 65% na mortalidade, ou seja, 1.277 vidas seriam salvas.

Fonte: Pesquisa Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro – Instituto Trata Brasil/FGV, 2010. + Informações

  • A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e não têm acesso ao saneamento básico é de 18%;
  • 11% das faltas do trabalhador estão relacionadas a problemas causados por esse mesmo problema;
  • Apesar do relevante aumento de arrecadação e renda resultantes de maior fluxo de pessoas em 20 destinos turísticos indicados pela Embratur, essas localidades acusam ainda um subinvestimento das necessidades básicas;
  • Cada 1 milhão investido em obas de esgoto sanitário gera 30 empregos diretos e 20 indiretos, além dos permanentes quando o sistema entra em operação. Com o investimento de R$ 11 bilhões por ano reivindicado pelo setor de saneamento, calcula-se que sejam gerados 550 mil novos empregos no mesmo período;
  • Se os investimentos em saneamento continuarem no mesmo ritmo, apenas em 2122 todos os brasileiros teriam acesso a esse serviço básico.
  • As 81 maiores cidades do país, com mais de 300 mil habitantes, despejam, diariamente, 5,9 bilhões de litros de esgoto sem tratamento algum, contaminando solos, rios, mananciais e praias do país, com impactos diretos a saúde da população.

Fonte: Pesquisa Saneamento, Educação, Trabalho e Turismo – Instituto Trata Brasil/FGV, 2008. + Informações

Ganhos ao cidadão e ao país:

  • Ao ter acesso à rede de esgoto, um trabalhador aumenta a sua produtividade em 13,3%, permitindo assim o crescimento de sua renda na mesma proporção.
  • Com a universalização do acesso a rede de esgoto, a estimativa é que a massa de salários, que hoje gira em torno de R$ 1,1 trilhão, se eleve em 3,8%, provocando um aumento na renda de R$ 41,5 bilhões por ano.
  • A universalização do acesso a rede de esgoto pode ainda proporcionar uma valorização média de até 18% no valor dos imóveis.
  • A valorização dos imóveis pode alcançar R$ 74 bilhões, valor 49% maior que o custo das obras de saneamento avaliado em R$ 49,8 bilhões (considerando apenas novas ligações).
  • Em longo prazo, o acesso à rede de esgoto implicaria um aumento na arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na mesma proporção do valor médio dos imóveis, um ganho estimado de R$ 385 milhões ao ano. Já no Imposto Sobre Transferência de Bens de Imóveis (ITBI) o crescimento esperado é superior a R$ 80 milhões por ano.

Fonte: Pesquisa Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro – Instituto Trata Brasil/FGV, 2010. + Informações

O Brasileiro conhece o tema 'Saneamento Básico' e a responsabilidade do Poder Público quanto a estes serviços?

  • Com o objetivo de verificar o nível de conhecimento do brasileiro sobre os serviços de saneamento básico, mais especificamente sobre o acesso à água potável, coleta e tratamento dos esgotos, o Instituto Trata Brasil realizou junto com o IBOPE uma pesquisa de opinião. Realizada com 1008 pessoas em 26 grandes municípios - com população acima de 300 mil habitantes-, o estudo revelou que os brasileiros estão mais críticos e bem informados sobre o assunto. Vejam alguns resultados: 
  • 81% dos entrevistados souberam relacionar saneamento com os 4 serviços da área (água, esgotos, resíduos sólidos e drenagem)
  • Quase metade dos entrevistados (47%) afirmaram haver esgoto ou córrego correndo a céu aberto próximo da residência.
  • 31% citaram o saneamento (Esgoto + Limpeza Pública + Coleta de Lixo + Abastecimento de água) como a área mais problemática, ficando atrás somente de saúde (61%), segurança (46%) e drogas (40%).
  • Metade dos entrevistados disse que se pudesse não pagaria para ter seu domicílio ligado à rede coletora de esgotos. Outros resultados explicam: Com relação à qualidade dos serviços, 58% afirmaram que o valor pago pela água / esgoto é caro em relação à qualidade do serviço prestado.
  • Sobre as melhorias nos serviços de saneamento no bairro onde moram, 41% afirmaram que houve melhora, 44% que permaneceram iguais e 11% que pioraram.
  • 75% das pessoas afirmaram que, apesar dos problemas, não cobram melhorias nos serviços. 59% dos cidadãos afirmaram que mesmo quando foram feitas reclamações à Prefeitura ou empresa de água e esgotos reivindicando melhorias, nenhuma medida foi tomada.
  • A maioria dos entrevistados (68%) sabe que o Prefeito é o principal responsável pelos serviços da área de saneamento básico. No que se refere à fiscalização, a maior parte dos entrevistados (55%) diz caber também à Prefeitura e 18% ao governo do Estado. A Agência Reguladora, órgão realmente responsável, foi citada por apenas 1% dos entrevistados. 13% das pessoas não sabem.

Fonte: A percepção do brasileiro quanto ao saneamento básico e a responsabilidade do poder público - Instituto Trata Brasil/Ibope, 2012. + Informações