
O Instituto Trata Brasil lamenta profundamente o falecimento de sua ilustre Embaixadora, Zilda Arns Neumann, de 75 anos, médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, órgão de Ação Social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), vítima do terremoto que atingiu o Haiti.
Dra. Zilda viajou para o Haiti no domingo (10) e realizaria uma palestra às 10h, na quarta-feira, na Conferência Nacional dos Religiosos do Caribe. Na quinta-feira (14), teria um encontro com representantes de ONGs e, no dia seguinte, com o arcebispo de Porto Príncipe. O retorno estava marcado para sábado (16).
Pelo seu trabalho na área social, Dra. Zilda Arns recebeu condecorações como: Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation, em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); 1º Prêmio Direitos Humanos (USP/2000); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988); Prêmio Humanitário (Lions Club Internacional/1997); Prêmio Internacional em Administração Sanitária (OPAS/ 1994); títulos de Doutor Honoris Causa das Universidades: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, do Extremo-Sul Catarinente de Criciúma, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade do Sul de Santa Catarina. Dra. Zilda é Cidadã Honorária de 10 Estados e 35 municípios; e foi homenageada por diversas outras Instituições, Universidades, Governos e Empresas. Foi indicada por três vezes ao Prêmio Nobel da Paz.
Nascida em Forquilhinha (SC), residia em Curitiba (PR), foi mãe de cinco filhos e avó de dez netos. Escolheu a medicina como missão e enveredou pelos caminhos da saúde pública. Sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba (PR), e posteriormente como diretora de Saúde Materno-Infantil, da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico diversas especializações como Saúde Pública, pela Universidade de São Paulo (USP) e Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS). Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória (PR), criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.
Embaixadora do Instituto Trata Brasil desde o lançamento da entidade, em outubro de 2007, Dra. Zilda Arns lutava pelo engajamento da classe médica e de profissionais de saúde para o avanço da universalização do saneamento básico. “Os médicos e outros profissionais devem se engajar nessa luta, porque têm recaído sobre seus ombros as conseqüências da falta de saneamento. Metade das crianças maiores de 6 anos no Brasil tem certo grau de anemia devido à má alimentação, mas também decorrente de verminoses, diarréias e outras doenças provenientes da falta de saneamento. As escolas também podem se engajar. Deveríamos ter mais aulas sobre questões de água, esgoto, saneamento ambiental, porque as crianças quando aprendem passam conhecimento aos pais e familiares”.
Deixa como legado uma história de luta para reduzir a mortalidade das crianças no Brasil. Cerca de sete crianças com idade entre um e seis anos morrem todos os dias no País vítimas de doenças resultantes da falta de saneamento básico, principalmente a diarréia. A Pastoral estima que cerca de 2 milhões de crianças e mais de 80 mil gestantes sejam acompanhadas todos os meses pela entidade em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania.
Em uma de suas importantes contribuições ao Instituto Trata Brasil, Dra. Zilda Arns, fez um retrato do saneamento no País, em entrevista exclusiva:
ITB News – Como a senhora avalia a questão do saneamento no Brasil e o seu atual estágio?
Doutora Zilda Arns – Na maioria das áreas pobres está péssimo. Viajo o País inteiro e encontro esgotos nas valetas por toda a parte. O esgoto é pouco coletado em muitos municípios e menos ainda tratado.
ITB News – Como a senhora enxerga o papel da sociedade nessa luta por mais investimentos em saneamento no Brasil?
Doutora Zilda – A educação das famílias é imprescindível na conscientização sobre a necessidade do saneamento. Muitas vezes as pessoas que se criaram em meio ao esgoto acham que isso é normal. E claro que não é. É necessário informar a sociedade sobre o tema e fazer pressão junto aos governos. É preciso entender que a educação é o único caminho para o engajamento das pessoas. E falo da educação inpidual, da educação em grupos e do engajamento da mídia, que pode trazer a tona a realidade e assim pressionar a opinião pública e os governantes.
ITB News – Qual é a importância da participação dos pediatras, da comunidade médica em relação às questões de saneamento no País?
Doutora Zilda – Os médicos e outros profissionais devem se engajar nessa luta, porque têm recaído sobre seus ombros as conseqüências da falta de saneamento. Metade das crianças maiores de 6 anos no Brasil tem certo grau de anemia devido à má alimentação, mas também decorrente de verminoses, diarréias e outras doenças provenientes da falta de saneamento. As escolas também podem se engajar. Deveríamos ter mais aulas sobre questões de água, esgoto, saneamento ambiental, porque as crianças quando aprendem passam conhecimento aos pais e familiares.
ITB News – Como os pediatras, os médicos poderiam ser mais ativos nessa luta por mais saneamento?
Doutora Zilda – Há espaço para ser mais ativo. Poderíamos ampliar o número de artigos sobre saneamento junto aos jornais de classe e à mídia.
Veja fotos da Dra. Zilda Arns durante o evento de confraternização dos Embaixadores Trata Brasil, realizado em São Paulo, em 15 de agosto de 2008.
Arquivo de vídeo do depoimento da Dra. Zilda para o Instituto Trata Brasil
Arquivo de áudio com Notícia do Falecimento da Dra. Zilda para a Pastoral da Criança (MP3)
Arquivo de áudio com Notícia do Falecimento da Dra. Zilda para a Pastoral da Pessoa Idosa (MP3)