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Municípios ultrapassam 70% de cobertura no interior de MT

Municípios ultrapassam 70% de cobertura no interior de MT

A Folha do Médio Norte
13/06/2017
 

Apesar de a universalização da coleta e tratamento de esgoto parecer uma realidade distante para Mato Grosso, que tem índice de geral de apenas 25,6% do esgoto coletado, o que significa dizer que 1 em cada 4 mato-grossenses tem acesso a esse serviço básico, municípios menores, como Barra do Garças, Cláudia e Primavera do Leste avançaram muito nos últimos anos e já ultrapassam os 70% de cobertura na rede de saneamento básico. Atualmente, estes 3 municípios, que têm esses serviços concedidos à iniciativa privada, estão entre os melhores índices de coberturas no país, índices estes muito superiores aos de Cuiabá e Várzea Grande.

Na Capital, por exemplo, que também fez a concessão dos serviços, a cobertura chega a 48,83%, dando sinal de que não basta a concessão em si para resolver os entraves. Para o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, Mato Grosso é um dos estados que enfrenta grandes desafios para alcançar indicadores aceitáveis em serviços de esgotamento sanitário. Ele afirma que de forma geral o setor privado tem ajudado muito os municípios brasileiros a avançar nos serviços de saneamento, uma vez que essas empresas, quando assumem, precisam estabelecer metas, cumpri-las e realizar investimentos.

“A concessão dos serviços tem mostrado bons resultados tanto para os municípios, quanto para as empresas que decidem investir. Temos vários casos de sucesso, assim como esses obtidos em algumas cidades do interior de Mato Grosso”. Apesar da iniciativa privada ter garantido grandes avanços em municípios do interior, na Capital o avanço planejado e esperado pela população não aconteceu. Para o presidente do Trata Brasil, os casos de insucesso são pontuais e ocorrem por problemas financeiros da própria empresa e não devido ao modelo de concessão.

“No caso de Cuiabá, que nós acompanhamos, a empresa está com problemas, isso é o que tem gerando toda a insatisfação em torno dos serviços”. Édison Carlos lembra que o preconceito quanto ao investimento privado em cidades do interior não se sustenta mais, o que acontece é que de forma geral os municípios menores têm mais dificuldades em se organizar para conseguir concessionar os serviços. “O setor privado tem interesse em cidades pequenas, e não é verdade que esses municípios não dão retorno aos investimentos necessários.

Prova disso são os municípios de Mato Grosso que tem avançado nos serviços enquanto o setor tem investido”. Apesar de reconhecer o importante papel da iniciativa privada para o avanço dos serviços de saneamento básico no país, Édison Carlos lembra que o que determina o sucesso de uma empresa, seja ela pública ou privada, é a eficiência na prestação de serviços.

“Independente de ser privada ou não é necessário ser eficiente. Nós temos casos, por exemplo, como o de Franca, que a empresa é pública e a cidade tem um dos melhores serviço no país”. Para garantir o sucesso público ou privado, ele destaca que é necessário uma agência de regulação que cumpra o papel de fiscalizar e cobrar o cumprimento de metas e investimentos estabelecidos. “Caso seja detectado que não se está cumprindo com o que foi acordado, essa agência tem condições de aplicar sanções e até mesmo romper o contrato em casos da iniciativa privada”.

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