Falta de saneamento básico afeta diretamente escolas por todo o mundo

Imagem de Free-Photos por Pixabay 

Atualmente, mais de um bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a banheiro. Essa situação afeta principalmente os países com menos recursos e em desenvolvimento, e, como consequência da falta de saneamento, cerca de um milhão de mortes são contabilizadas por ano no mundo advindas de doenças relacionadas do contato direto com as fezes humanas e/ou esgoto ao céu aberto.

Além da saúde, outro setor também afetado pela falta de saneamento básico é a educação. É o que aponta um levantamento do Unicef, divulgado no mês de agosto de 2020, que retrata a situação educacional das crianças e adolescentes no mundo. O relatório intitulado ?PROGRESS ON DRINKING WATER, HIGIENE AND SANITATION? tem como principal objetivo mapear o acesso aos serviços de saneamento básico nas escolas do planeta, com foco na pandemia em que vivemos.

De acordo com o relatório, cerca de 818 milhões de crianças não têm instalações básicas para lavar as mãos nas escolas, o que as coloca em maior risco de contrair Covid-19 e outras doenças transmissíveis. Mais de um terço dessas crianças (295 milhões) estão na África, ao sul do Saara.

Dos 818 milhões de crianças que não tinham um serviço básico de lavagem das mãos na escola, 355 milhões foram para escolas que tinham instalações com água, mas não tinham sabão, e 462 milhões para escolas que não tinham nenhuma instalação ou água disponível para lavar as mãos.

Nos países menos desenvolvidos, sete em cada dez escolas carecem de instalações básicas para lavagem das mãos e metade das escolas carecem de saneamento básico e serviços de água.

Nos 60 países com maior risco de crises de saúde e humanitárias devido à Covid-19, três em cada quatro crianças não tinham serviço básico de lavagem das mãos na escola no início do surto; metade de todas as crianças não tinha serviço básico de água; e mais da metade não tinha serviço de saneamento básico.

Uma em cada três escolas em todo o mundo tinha serviço limitado de água potável ou nenhum serviço de água potável.

O estudo lançado pela UNICEF mostra também a situação de água e saneamento no Brasil. No país 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos. Além disso, de acordo com o Censo Escolar 2018, 26% das escolas brasileiras não têm acesso a abastecimento público de água. Quase metade (49%) das escolas brasileiras não tem acesso à rede pública de esgoto.

Esses baixos índices de saneamento básico nas escolas brasileiras afetam diretamente os anos escolares dos jovens. De acordo com dados do Painel Saneamento Brasil, plataforma de informações gerencia pelo Instituto Trata Brasil, há grande diferença no que diz respeito aos anos de escolaridade das crianças com saneamento básico e os que residem em locais sem acesso aos serviços. Estima-se que no Brasil, a diferença em anos de educação formal de um jovem com saneamento básico em sua residência para um sem esses recursos é cerca de 4 anos.

Essa diferença em anos letivos, considera o efeito do saneamento sobre a presença escolar. Assim, se for dado acesso à coleta de esgoto a uma criança que mora em uma área sem acesso a esse serviço, espera-se uma melhora geral de sua qualidade de vida gerando menos índices de diarreia e redução do número de dias de falta nas aulas, entre outros aspectos, possibilitando uma maior presença, com efeito sobre educação formal.

Além disso, os últimos dados do IBGE, também presentes no Painel Saneamento Brasil, mostram que aproximadamente 5 milhões de brasileiros vivem em locais sem acesso a um banheiro, atingindo, também, escolas de todas as regiões do país.

O país, assim como todo o mundo, deve investir de médio a longo prazo para aumentar os investimentos em saneamento básico e, por consequência, além de melhorar o acesso a água, coleta e tratamento de esgoto, possa também aumentar a média de anos formais de educação dos jovens.

Para saber mais sobre educação e outros dados associados ao saneamento básico do país acesse:

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