Foto retirada do site InvestVida

Apresentar água tratada, coleta e tratamento de esgoto garantem benefícios primordiais para todos. No entanto, diversas regiões do Brasil não recebem tais serviços e, quando têm, apresentam atendimentos bastante precários e desiguais aos seus cidadãos.

A porcentagem de população com acesso à rede de água e coleta de esgoto no país é de 83,6% e 53,15% respectivamente. O volume de esgoto tratado está perto de 46%, de acordo com Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS -, 2018. Por apresentar baixos indicadores, diversos setores do país são altamente afetados pelos baixos índices de saneamento básico, dentre eles o trabalho, turismo, preservação ambiental, educação e principalmente a saúde.

Entre as principais consequências estão as doenças por veiculação hídrica que atingem direta e indiretamente a população.  Só em 2018, cerca de 233 mil casos por doenças associadas à falta de saneamento foram registrados no país, o que corresponde a uma incidência de 11 internações para cada 10 mil habitantes.  No entanto, infelizmente, assim como em todos os setores do país, a desigualdade racial também está presente nas consequências da falta de saneamento básico.

De acordo a atualização do Painel Saneamento Brasil, plataforma gerenciada pelo Instituto Trata Brasil, das mais de 230 mil internações ocasionadas por doenças de veiculação hídrica, foram identificadas cerca de 50 mil internações em pessoas autodeclaradas brancas, 11 mil em autodeclaradas amarelas, 2 mil em pessoas autodeclaradas indígenas, 5 mil pessoas autodeclaradas pretas, e 115 mil casos em pessoas autodeclaradas pardas. O termo “autodeclarado” consta na metodologia do DATASUS.

Dentre as 27 Unidades da Federação, São Paulo é o estado que registrou o maior número de internações em pessoas autodeclaradas brancas. Só no ano de 2018, foram totalizados cerca de 10 mil casos, o que representa 2/3 de todas as internações por veiculação hídrica no estado. Paraná e Santa Catarina estão logo atrás, com cerca de 7 mil e 6 mil casos respectivamente.

O estado do Maranhão é de longe o que apresenta o maior número de internações de pessoas autodeclaradas pretas, pardas e amarelas. Cerca de 1 mil das 5 mil internações por veiculação hídrica em pessoas autodeclaradas pretas no Brasil foram no Maranhão. E quase 24 mil casos de internações em pessoas pardas foram registrados no estado maranhense. Ambos os números são extremamente expressivos, estando a frente da Bahia e do estado mais populoso do país, São Paulo.

Ao todo, cerca de 60 mil casos de internações por doenças associadas à falta de saneamento foram registrados em pessoas que não quiseram declarar sua etnia.

Ainda que o saneamento esteja distante do ideal em todo país, precisamos lutar para que no mínimo, todas as etnias tenham as mesmas oportunidades de receber os serviços de água e esgotamento sanitário. A desigualdade racial esta enraizada em todos os setores do país. Não podemos deixar que permaneça também no saneamento básico.

Para saber mais dados sobre doenças relacionadas a falta de saneamento básico por etnia, veja a tabela abaixo:

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Saiba como as doenças provocadas pela falta de saneamento se distribuem no Brasil

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