Imagem de Steve Buissinne por Pixabay

O primeiro dia do mês de outubro é dedicado a celebração da pessoa idosa. Estabelecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1990, a data comemorativa foi adotada no Brasil somente no ano de 2006, tendo como principal objetivo a valorização do idoso, além de trazer a reflexão a respeito do envelhecimento e todas as suas implicações.

A população idosa no nosso país não para de crescer, estimasse que no Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas já passaram dos 60 anos de idade. Daqui a 20 anos, essa população deve dobrar. No mundo inteiro a população está ficando mais velha. Até 2050, o número de pessoas acima de 65 anos será maior do que o de pessoas com menos de 15, nos países mais avançados. Hoje, a expectativa de vida nos países desenvolvidos é de cerca de 75 anos e será de mais ou menos 90 anos em 2050. A partir disso, vemos como é importante e necessário olharmos de forma mais atenta para a nossa 3° idade.

A qualidade de vida na velhice está muito associada a vida ativa dos idosos: a busca por hábitos saudáveis como atividade física e alimentação saudável; manter a mente estimulada com novas atividades, e acima de tudo apresentar ótimas relações sociais com a família e amigos. Entretanto, mesmo seguindo à risca todas essas dicas, muitos idosos acabam tendo suas vidas encurtadas por outro motivo: a falta de saneamento básico.

Os indicadores de saneamento no Brasil são muito preocupantes: o país tem perto de 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada, quase metade da população – 100 milhões de brasileiros – não tem rede de esgotos e somente 46% do volume de esgoto gerado no Brasil é tratado.

Os baixos investimentos em água e esgotamento sanitário durante 2010 a 2017 afetaram a saúde da população, ocorrendo diversos casos de doenças por veiculação hídrica, principalmente em idosos de 60 anos ou mais. Só no ano de 2017, a incidência de internações devido à falta de saneamento em idosos entre 60 e 80 anos foi de 14,029 a cada 10 mil brasileiros. Já em idosos acima dos 80 anos, a incidência chegou 36,014 a cada 10 mil brasileiros internados no mesmo ano.

Mesmo com o passar dos anos, as internações de idosos ainda estão muito altas. Em 2017 foram registradas 46.636 internações de idosos acima dos 60 anos relacionas a falta de saneamento, cerca de um quinto de todas as internações por veiculação hídrica do país. Para ter uma noção, em 2010 esse número era de 86.644, porém mesmo caindo pela metade ainda é muito pouco para um período de tempo de 8 anos. Além de que, em 2010 o número total de internações relacionadas a saneamento era de quase 610 mil pessoas e em 2017 são de 260 mil, deixando claro como o número de idosos está aumentando cada vez mais.

O Brasil, como já dito, está em um caminho de atenção quando falamos em saúde, e os números de 2010 a 2017 já mostraram que a falta de investimento em saneamento básico tende a aumentar os casos de doenças por veiculação hídrica em idosos no país. Quando falamos nesse tipo de doença, o Nordeste é disparado a região com maior número de internações sexagenárias no Brasil, totalizando 23.278 casos em 2017, já o Centro-Oeste é o mais positivo nesse quesito, apenas 3.360 idosos foram internados por doença de veiculação hídrica no mesmo ano.

Precisamos agir e cobrar maiores investimentos na área do saneamento básico do país, visando a universalização dos serviços de água e esgotamento sanitário, além de uma melhor qualidade de vida para toda a população. E acima de tudo precisamos valorizar mais nossos idosos, preocupando-nos com sua saúde e bem-estar, pois nos próximos anos o número de pessoas acima dos 60 anos será enorme e caso não haja melhora no futuro, os idosos que passarão por essas dificuldades devido a falta de saneamento básico, seremos nós.

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Dia do Idoso – Como a falta de saneamento afeta a melhor idade do nosso país?

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