Por Marcia Sousa – 20 de dezembro de 2017

Hoje, dia 5 de setembro, é comemorado o Dia da Amazônia.


O dia escolhido faz referência a 5 de setembro de 1850, quando o Príncipe D. Pedro II decretou a criação da Província do Amazonas (atual Estado do Amazonas).


Esta data foi criada com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a importância da maior floresta tropical do mundo e da biodiversidade para o planeta: É na Amazônia que nasce os rios flutuantes, trazendo chuvas para as demais regiões do Brasil; a floresta Amazônica possui mais de 30 mil espécies de plantas e animais; a maior reserva natural do planeta; e é rica em recursos naturais, além de ser responsável por um dos maiores mananciais de água doce do mundo.


Entretanto, os motivos para celebração são poucos. Além das constantes queimadas e desmatamentos ilegais, a floresta amazônica, e as Unidades da Federação que compõem a Região Amazônica sofrem com um grave problema de saneamento básico, que afeta direta e indiretamente a população da maior floresta do mundo.


A Região Norte, berço da Amazônia, é a pior região do país em coleta e tratamento de esgotos. Sempre falamos em proteger a floresta, mas desconhecemos os riscos mais básicos. As cidades que banham os rios amazônicos despejam os esgotos diretamente nos rios.


Deve-se preocupar com a poluição dos mananciais e, sobretudo, com a veiculação de algumas doenças associadas ao precário atendimento em água tratada, coleta e tratamento dos esgotos.

O quadro de doenças, em especial na Região Norte, apresenta os mais alarmantes indicies em mortes na infância e internações por doenças de veiculação hídrica.

De acordo com o Painel Saneamento Brasil, plataforma gerenciada pelo Instituto Trata Brasil, só em 2017, a Região Norte apresentou 44.984 casos de internações associadas a falta de saneamento, que resultaram em 198 óbitos, sendo 30 deles de crianças abaixo dos 4 anos.


Hoje, a cobertura de água e esgotamento sanitário da Região Norte são as mais baixas do Brasil. Apenas 57,3% de toda população nortista apresenta acesso à água, 10,2% tem coleta de esgoto e apenas 17,4% dos esgotos são tratados, agredindo o imenso bioma amazônico e colocando em risco o meio ambiente da região. Fora tudo isso, as perdas de água chegam a 55,1%.

Abaixo, mostraremos um panorama geral do saneamento dos 8 estados que a maior floresta tropical do mundo ocupa. Com exceção do Mato Grosso, todos pertencem a região Norte do país:

Amazonas


Parcela da população sem acesso à água – 20,3%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 90,6%
Esgoto tratado sobre água consumida – 29,4%
Perdas na distribuição – 68,9%

Acre


Parcela da população sem acesso à água – 50,9%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 89,3%
Esgoto tratado sobre água consumida – 19,3%
Perdas na distribuição – 60,1%

Amapá


Parcela da população sem acesso à água – 62,9%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 93,4%
Esgoto tratado sobre água consumida – 13,0%
Perdas na distribuição – 66,2%

Pará


Parcela da população sem acesso à água – 54,7%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 93,7%
Esgoto tratado sobre água consumida – 4,4%
Perdas na distribuição – 40,0%

Rondônia

Parcela da população sem acesso à água – 52,3%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 95,5%
Esgoto tratado sobre água consumida – 5,8%
Perdas na distribuição – 55,8%

Roraima

Parcela da população sem acesso à água – 19,2%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 58,2%
Esgoto tratado sobre água consumida – 78,0%
Perdas na distribuição – 75,4%

Tocantins

Parcela da população sem acesso à água – 19,4%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 74,1%
Esgoto tratado sobre água consumida – 25,6%
Perdas na distribuição – 34,2%

Mato Grosso

Parcela da população sem acesso à água – 11,7%
Parcela da população sem acesso a coleta de esgoto – 67,5%
Esgoto tratado sobre água consumida – 24,3%
Perdas na distribuição – 46,0%

A partir desses dados, temos que entender que o saneamento básico é algo extremamente importante e capaz de interferir diretamente de diversas formas na região: protegendo a floresta, com a conservação dos recursos hídricos; socialmente, melhorando a qualidade de vida da população; e economicamente, investindo em saneamento básico que resulta em uma maior geração de renda, valorização ambiental, atrações turísticas e etc.

Com isso, temos que juntar esforços e cobrar providências dos governos nas ações de saneamento, preservação ambiental e saúde. Pois só com muito esforço de todas as partes conseguiremos manter a população e a maior floresta tropical do mundo saudáveis e preservadas.

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Dia da Amazônia – saiba a situação dos 8 estados da região!

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