É de extrema importância um país apresentar bons recursos de saneamento básico para seus cidadãos para poder ser considerado desenvolvido. Ter água tratada, coleta e tratamento de esgoto garantem benefícios transversais para todos(as). No entanto, diversas regiões do Brasil não recebem tais serviços e, quando têm, apresentam atendimentos bastante precários, como a região Sul.

A porcentagem de população com acesso à rede de água e coleta de esgoto da região Sul é de 89,68% e 43,93% respectivamente. O volume de esgoto tratado está perto de 45%, de acordo com Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS -, 2017. São números alarmantes por estarmos falando de uma das melhores regiões do país em termos de desenvolvimento de vida e educação. Por apresentar tais porcentagens, diversos setores do Sul são altamente afetados pelos baixos índices de saneamento básico, dentre eles o trabalho, turismo, preservação ambiental, educação e principalmente a saúde.

Entre as principais consequências estão as doenças por veiculação hídrica que atingem direta e indiretamente a população.  Em 2010, a incidência de casos por doenças associadas à falta de saneamento foi de 21,297 para cada 10 mil habitantes.  Esse índice reduziu minimamente com anos posteriores, sem representar em uma queda de fato. No Sul, em 2017 essa incidência de internações por doenças de veiculação hídrica foi de 9,65 internações por 10 mil habitantes, menos da metade se compararmos há 8 anos atrás.

Dentre as doenças relacionadas a falta de saneamento básico, a diarreia é de longe a doença com a maior quantidade de internações. Só no ano de 2017 foram registrados 27.125 casos, cerca de 30 vezes mais que o número de casos de leptospirose, que é a segunda doença com mais internações na região. Em contrapartida, houve uma diminuição de quase 28 mil casos de 2010 até 2017, mas ainda há muito o que melhorar.

Os 28.474 casos de doenças por veiculação hídrica em apenas um ano e a falta de melhoras no setor de saneamento da região resultaram em óbitos. Só no ano de 2017 foram registrados 325 óbitos decorrentes dessas doenças, sendo que desde 2010 não ocorreu nenhuma melhora significativa no número de mortes, deixando cada vez mais claro como a melhora no saneamento básico é fundamental para a diminuição de óbitos por doenças de veiculação hídrica na região Sul do país.

Os baixos índices no saneamento básico do Sul juntamente aos baixos investimentos no setor acarretam um serviço de água e esgotamento sanitário deficientes que, por consequência, gera mais casos de internações por veiculação hídrica, gerando assim cada vez mais gastos. Em 2010, foram registrados mais de R$ 21 milhões só com internações por doenças associadas à falta de saneamento. Nos dados mais recentes, podemos ver uma redução significativa, apresentando cerca de R$ 12 milhões em despesas em 2017.

Ainda que o saneamento na região Sul esteja distante do ideal, os investimentos realizados nos últimos anos garantiram um pouco de externalidade positiva, com a geração de empregos nos investimentos e operações dos serviços de água e esgoto.  Só no ano de 2017, foram gerados 33.346 empregos nos investimentos e 60.863 na operação, resultando em um total de 94.209 empregos frutos do saneamento básico.

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Saneamento e saúde pública na região Sul

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