A imagem mostra a vista panorâmica de uma comunidade irregular, ou favela.
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Quando falamos em saneamento básico, inevitavelmente acabamos pensando em água e na importância e necessidade de que esse recurso natural e finito tem em nossas vidas.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2017), 83,5% dos brasileiros têm abastecimento de água tratada, deixando quase 35 milhões de pessoas sem o acesso a esse serviço básico no país. Ao fornecer água para consumo, os sistemas sofrem perdas na distribuição, que na média do país alcançam 38,29%.

A precariedade do saneamento básico atinge a todos, mas é indiscutível que os principais danos estão nas famílias de baixa renda. A maioria delas residem em locais denominados áreas irregulares, que seriam as comunidades, invasões, grotas, baixadas, vilas, ressacas, mocambos, palafitas, entre outros.

O Censo Demográfico de 2010, realizado pelo IBGE, mostrou que haviam 6.329 áreas irregulares no Brasil, com mais de 3 milhões de casas ocupadas e onde residiam cerca de 11,4 milhões de pessoas.

Uma estimativa feita pelo Instituto Trata Brasil, em estudo sobre áreas irregulares, em 2016, mostrou que nas 100 maiores cidades do Brasil, apenas 11,7% da população destas áreas tinham acesso à água e coleta de esgoto, enquanto 28,3% têm acesso só à água e 2,4%, só ao esgoto. A porcentagem de pessoas sem saneamento básico algum, sejam eles, água ou de esgoto era de 72%.

Isso não significa que a população não esteja consumindo água ou descartando esgoto. Em diversos casos ocorre que esse consumo não é apropriadamente contabilizado e cobrado, já que a água é obtida por meio de ligações irregulares, os gatos, e o descarte do esgoto é feito de forma inadequada. O descarte dos esgotos é feito, na maioria das vezes, no próprio solo, córregos, rios ou até mesmo mares, em regiões litorâneas.

Tais formas inadequadas fazem com que a saúde da população nessas comunidades fique extremante precária e vulnerável a doenças, principalmente as relacionadas a veiculação hídrica. Dentre as principais ocorrências de veiculação hídrica nas comunidades nos últimos anos estão, a diarreia, dengue e infecções na pele ou nos olhos.

Em relação ao consumo médio de água não medido nas áreas irregulares, em um estudo feito pelo Instituto Trata Brasil em 2014 com 37 municípios, mostrou que ao todo, foram consumidos 228.560.519 litros/ano, o que representa 254 piscinas olímpicas por dia, 7.619 piscinas por mês ou 91.424 piscinas olímpicas por ano. O consumo médio de água no país é de 154,1 litros por habitante ao dia. Destes valores para os 37 municípios, apenas 32,0 % (73.039.221 litros/ano) foram faturados e 68,0 % (155.521.298 litros/ano) não geraram receitas aos prestadores.

A razão para tudo isso é parcialmente simples,como o uso dessas comunidades é irregular, quem mora nessas áreas não apresenta documentação que reconheça a existência do terreno, muito menos a casa onde habitam, o que dificulta a instalação de serviços públicos e por consequência tenham um saneamento básico extremamente precário.

Para concluir, essa situação trata-se de um desafio para as prefeituras e para as empresas de saneamento, sejam elas públicas ou privadas, de se responsabilizar em fazer o máximo para atingir as comunidades com os serviços de saneamento básico e agilizar o mais rápido possível o processo de universalização também nessas áreas, levando serviços de qualidade para as mesmas, pois só assim garantiria mais saúde e qualidade de vida para as pessoas que lá residem, além de assegurar um maior equilíbrio financeiro dessas companhias, viabilizando novos investimentos.

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Acesso à água nas comunidades

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