Um homem analisando investimentos.

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No decorrer dos anos, o Brasil demonstrou certo avanço no saneamento básico, porém, mesmo progredindo é uma evolução extremamente lenta e um investimento muito baixo comparado com outros países desenvolvidos. De 2013 pra cá, a média em bilhões de investimento caiu drasticamente, passando de R$ 13,2 para apenas R$ 10,96 em 2017, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

A parte da população brasileira que apresenta acesso a distribuição de água tratada passou de 82,5% em 2013 para 83,5% em 2017, deixando quase 35 milhões de brasileiros ainda sem esse essencial recurso, o que equivale à população do Canadá. Já a fração de brasileiros que apresentam o serviço de coleta de esgoto passou de 48,6% para 52,4% no decorrer desses 5 anos, ignorando quase 100 milhões de pessoas que ainda não têm acesso a este serviço básico.

Essa escassez de investimento em água e esgoto afeta diretamente os indicadores de saúde. Um grande exemplo disso é a taxa de mortalidade de crianças com até 5 anos de idade, que foi de 16,4 mortes por 1000 nascidos vivos no Brasil em 2015, de acordo com o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Abcon, em novembro de 2018. E esse número tende apenas aumentar, por consequência dos baixos investimentos e pela alta porcentagens de brasileiros sem acesso aos serviços de esgotamento sanitário. A precariedade nesses setores básicos de saúde também está completamente relacionada a produtividade do país. Com menos problemas de saúde, os trabalhadores faltariam menos em seus trabalhos e as crianças iriam muito mais as aulas.

No entanto, a falta de investimento em saneamento básico não afeta exclusivamente a saúde. Os efeitos se refletem de forma bastante evidente no desenvolvimento econômico e social do país. Se todos brasileiros apresentassem acesso aos serviços de água e esgoto, os ganhos econômicos não viriam apenas dos impostos pagos, a geração de empregos seria enorme.

No ano de 2017, de acordo com o SNIS, a quantidade total de trabalhadores envolvidos com a prestação de serviços foi de 215,3 mil. Além disso, o turismo que é uma atividade que depende de boas condições ambientais para seu avanço é extremamente afetado com a falta de saneamento, gerando um déficit evitável a renda do país.

Analisando tudo isso, podemos dizer que os ganhos com o investimento nos serviços de água e esgoto são bem maiores que os custos para desenvolver o setor, fazendo com que o Brasil perca e muito por não dar a atenção e o investimento necessário ao saneamento básico do país.

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O que o Brasil perde sem investir em saneamento básico?

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