A falta de saneamento básico no Brasil deixa a população exposta a vários riscos à saúde humana.  Com os sistemas de água e esgoto inadequados, ou a ausência deles, somados as deficiências da higiene, causam a morte de milhões de pessoas todos os anos no mundo.

Pensando nisso, trocamos uma ideia com o embaixador do Instituto Trata Brasil, Carlos Graeff, que também é Membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Parasitologia e integrante do Comitê de Assessoramento Técnico para Esquistossomose, grupo ligado ao Ministério da Saúde. Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Confira a entrevista – Carlos Graeff

– Com baixos indicadores de saneamento ainda no país, como o senhor enxerga possíveis soluções daqui para frente para que saiamos deste cenário? 

Não há saída eficaz sem a formação de lideranças esclarecidas, tanto lideranças comunitárias, quanto lideres gestores públicos.  Precisamos de núcleos pequenos, porém, competentes e engajados. Esta possibilidade de transformação obedece a ideia da transformação liderada pela minoria.  Mais a longo prazo, redistribuição de renda e educação que promova cidadania.  Do jeito que estão as coisas hoje, não há saída.

– Em relação à saúde humana, há novos estudos sendo feitos em que o saneamento básico é o principal vilão?

No momento, não tenho conhecimento de estudos novos, mas não precisamos hoje de mais dados, os que possuímos já são suficientes para evidenciar a precariedade dos serviços de saneamento básico não apenas no Brasil, mas em termos mundiais. Isto é o mesmo para legislação, também já temos suficiente, precisamos focar em cumprir as metas estabelecidas e também saber porque sabendo tanto, as coisas ainda não funcionam.

– A região Sul também sofre com doenças como a esquistossomose?

Sim, embora apenas em focos restritos.  A ideia ingênua do “sul-maravilha” ignora bolsões de miséria e de péssimas condições de vida. E inaceitáveis números quanto ao saneamento básico.

– Como a universidade pode ajudar no processo da universalização do saneamento básico?

Com a pesquisas operacionais, mas principalmente com a formação de lideranças, como proposto na primeira resposta.  Uma formação integral, cidadã, atenta aos problemas concretos da sociedade e sensível à desigualdade que produz a miséria material e de ideias.

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Trata entrevista o embaixador e doutor: Carlos Graeff

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