O Trata Brasil é composto por grupo de embaixadores que além de representar a instituição, apoia suas ações pela universalização do saneamento. São cerca de 28 embaixadores, entre eles estão pesquisadores, especialistas e autoridades do setor.
É oceanógrafo, engenheiro costeiro e ambiental. Professor Adjunto da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, membro do Conselho Diretor do Centro de Estudos da Saúde, Trabalho e Meio Ambiente – Dr. Adyr Fonseca Jordano da UERJ, vice-Presidente da ONG Câmara Comunitária da Barra da Tijuca e vice-Presidente da ONG Defensores da Terra.

Entrevista com o novo embaixador:

  • Como você acha que o cidadão pode contribuir para a melhora dos oceanos e mares?

Eu tenho a seguinte impressão, as pessoas estão querendo participar, e hoje a gente tem uma ideia errada de que “vamos fazer educação ambiental!”, não, não é educação ambiental que eles precisam, eles precisam de uma instrumentalização ambiental, “Como é que ele se vê participando?”.

As coisas erradas que estão acontecendo, todo mundo sabe: não pode jogar papel no chão, não pode sujar, não pode usar água demais, agora ninguém oferece instrumentos pra isso, no mesmo lugar que ele sabe que é errado jogar lixo no chão, às vezes não tem lixeira, da mesma forma que ele sabe que não pode gastar água em demasia, os equipamentos que a gente tem em casa talvez pudessem ser mudados, tamanho menor, uma vazão menor, um pouco mais de mistura com ar, pra dar a sensação que está saindo bastante água, mas não tanta água assim e mecanismos  automáticos de redução da saída de água, então, nós precisamos ajudar a sociedade a se adaptar e participar ativamente.

 • Como você vê o cenário do saneamento básico no Brasil?
O saneamento básico no Brasil está muito teórico e ortodoxo, as mesmas tecnologias que estão adotando aqui, a vinte ou trinta anos atrás é a mesma coisa, aí eu pergunto para as pessoas “Alguém tem um celular mais antigo que 4 anos?”, em três anos tem que mudar tudo, por isso eu vejo o saneamento no Brasil muito ortodoxo, claro que a essência é boa, mas temos que desenvolver mecanismos complementares, até porque a sociedade cresce em uma velocidade muito superior do que a capacidade de investimentos no saneamento, que é um dos gargalos.
Temos que ver a eficiência dos resultados, temos que ter métricas para medir o quanto é gasto, quanto que tem de resultado, tudo isso tem que ser contabilizado, ou seja, eu vejo assim, o Brasil é pródigo em colher dados, mas pouca gente interpreta e pior que isso, pouca gente faz uso dessa interpretação, então precisamos mudar de alguma forma, do jeito que está não dá.
• Porque você acredita que é um tema difícil de ser tratado?
Tem uma famosa tese de doutorado (Teoria dos comuns) que diz “o que é benefício de todos, não tem tanto valor do que se fosse benefício para um só”, é o que eu digo para meus alunos, se eu der uma prova e dizer que eu vou medir o resultado dele pela prova, todo mundo estuda e com muito vigor, se eu falar que a prova é em grupo ninguém faz nada esperando que o outro vai fazer, é esse o problema do saneamento, em uma conta de água e de esgoto, metade é água, metade é esgoto, e se você não tivesse condição de pagar uma metade dessa, qual metade você escolheria? Lógico que você escolheria a água, porque o benefício é direto, o esgoto você não escolhe, porque é benefício de todos e é o outro quem vai fazer. Temos que começar a valorizar a água e o tratamento de esgoto como beneficio direto, ta aí um desafio para nós. 
• Você como oceanógrafo já esteve em diversos países, qual o seu sentimento quando volta ao Brasil e se depara com a situação da nossa água?
O Brasil é um país pródigo em belezas naturais, é um país pródigo em quantidade de água, como nós temos muito, teoricamente, a gente não dá o valor que deveria ser dado, os outros países que não tem tanto essa qualidade, eles realmente preservam, então nós temos que nos antecipar, daqui a pouco não teremos mais água limpa e muito menos ecossistemas saudáveis para poder fazer um bom turismo, um bom lazer, então nós vamos perder essas belezas naturais, vamos perder a qualidade da nossa água. Só iremos dar valor quando perdermos isso,  temos que antecipar isso, mostrando o que vai ser amanhã se a gente não tomar conta hoje dos nossos recursos naturais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O oceanógrafo David Zee é o novo embaixador do Trata Brasil

Tempo para ler: 3 min
0