isabel swan

Há tempos, o Instituto Trata Brasil busca especialistas no tema de saneamento para ajudar na transmissão da mensagem Brasil afora, carimbando-os como embaixadores.  Nos últimos anos, celebridades também começaram a aderir este movimento em prol da água tratada e coleta e tratamento dos esgotos, se juntando ao time de embaixadores e permitindo que o assunto se multiplique pelos quatro cantos do país. Vale ressaltar que nossa primeira embaixadora foi a Dra. Zilda Arns, que trouxe este conceito para o Instituto Trata Brasil em 2008 e abriu nossa visão para buscar mais pessoas para o nosso time.

Desta vez, o Instituto Trata Brasil trouxe a velejadora Isabel Swan, atleta embaixadora e responsável pelo discurso da candidatura do Brasil para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Trabalhou e defendeu o programa Baía Viva antes de competir nas águas da Baía de Guanabara representando o Brasil nas Olimpíadas do Rio 2016. Finalista nas Olimpíadas do Rio 2016 na classe Nacra 17, seus títulos esportivos mais recentes são: Campeã Sul Americana em 2015 e campeã da Copa Brasil em 2016 e 2017.

Isabel Swan vive o dia a dia do descaso com a Baía de Guanabara, principal ponto turístico do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

Entrevista da Isabel Swan

 ITB – Por que você acredita que o saneamento básico no Brasil ainda é um tema difícil de ser encarado?

Saneamento básico é um tema difícil pois envolve fatores de regulamentação habitacional e rede coletora, com planejamento que exige capacitação técnica. Embora a água tenha chegado porque existe um interesse de retorno financeiro maior, o esgoto ainda é um grande problema, pois ainda temos somente 50% tratado no Brasil, o que aponta outra questão, que é a falta de Planos de Saneamento, onde muitos municípios sequer desenvolveram um planejamento para estabelecer metas e diretrizes de projetos exigidos por lei.

 

ITB – Você como velejadora já esteve em diversos países para competições, qual o seu sentimento quando retorna ao Brasil e se depara com rios e baías poluídas?

É uma tristeza, quando vou para Chicago e vejo que a população conseguiu limpar o rio e cruza a cidade, isso me causa um alento. Quando vou a Londres e vejo que o rio Tâmisa foi limpo, isso também me causa a certeza que é possível reverter uma condição de degradação ambiental. Um ótimo exemplo é a Baía de Chesapeake em Maryland, nos Estados Unidos, que tem mais de 150 rios desembocando e desenvolve programas de despoluição e políticas ambientais para seu entorno. Precisamos envolver toda a população, governo e empresas privadas e fazermos um pacto pelos nossos rios e baías, onde a bandeira principal é o acesso ao saneamento básico. Se paramos de sujar, será um grande passo.

 

ITB – Como a população pode se envolver mais para buscar um país com águas mais limpas?

Principalmente através de ações de reciclagem, de cobrança das autoridades públicas pelo saneamento, que é um direito de todos, evitando desperdício de água e principalmente criando a mobilização em prol dessas causas.

 

ITB – Como nova embaixadora do Instituto Trata Brasil, qual é o seu objetivo para ajudar na busca de um país mais justo em relação ao saneamento básico?

Meu objetivo é contribuir diretamente para programas que plantem a semente de responsabilidade social e busquem um país com menos desigualdade e mais acesso a condições básicas de higiene e civilidade. Só assim teremos crianças com capacidade de absorver conhecimento e frequentar aulas, menos necessidade de investimento em saúde por termos uma população mais saudável, etc. O saneamento é emergencial e deve realmente ser tratado como prioridade.

 

ITB – Você acredita num país com águas limpas num futuro próximo?

Para mim é uma questão de prioridade, sem saneamento e com poluição dos nossos recursos naturais seremos sempre um país em subdesenvolvimento. A falta de condição de mudar e impedir a poluição da Baía de Guanabara, por exemplo, reflete simbolicamente nossa incapacidade de reversão deste quadro degradação social. Essa mudança poderia trazer, além da limpeza da baía, a inspiração para novas gerações, a confiança que podemos resolver nossos problemas e o orgulho (hoje perdido) de sermos brasileiros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Entrevista com a embaixadora e velejadora Isabel Swan

Tempo para ler: 3 min
0